sexta-feira, 25 de outubro de 2013

ORIGEM DOS FONTENELE

JEAN FONTENELE - IMIGRANTE FRANCÊS

O PATRIARCA DA FAMÍLIA FONTENELE - GENEALOGIA


Origem dos Fontenele

                    

FONTENELE, como é escrito na grafia mais moderna, constitui uma família única no Brasil, originada a partir de JEAN FONTAINELLES, filho de Jean Pierre Fontainelles e Suzanne Moullinier, naturais da cidade de Melun, na França.

Melun foi fundada por volta de 53 a.C. Foi destruída diversas vezes pelos normandos e tornou-se residência real dos primeiros reis Capetos. Carlos, o Mau, apoderou-se da cidade entre 1358-1359. Os ingleses entraram em 1415 e foram expulsos em 1430. Em 1450, Henrique IV salvou a cidade das mãos dos seguidores da Liga.

Atualmente, Melun faz parte da região metropolitana de Paris, chamada de Île de France, e sua localização está a uma distância de 50 quilômetros ao sul de Paris, perto de Fontainebleau. Situa-se às margens do Sena, na região de Bric. Hoje é um centro industrial importante e terra do poeta J. Amiot.

Conforme se vê no mapa da França e suas regiões metropolitanas, e foto da região metropolitana de Île de France.


Rue Carnot/Rue Paul Doumer, Melun, Île-de-France, França

Mapa de Paris com trajeto até Melun (linha azul)
  

Notícias de jazidas de prata na Ibiapaba, Ceará


No início do século XVIII, divulgaram em Portugal fantásticas notícias de que nos contrafortes das Serras da Ibiapaba e dos Cocos, no Ceará, continham fabulosas jazidas de minérios, prata e ouro, brotando à flor da terra. O local desses minérios seria precisamente o Araticum, atualmente distrito da cidade de Ubajara. Logo despertou no meio daquela Corte a maior cobiça e ambição para a exploração e remessa de riqueza para os donos do reino, patrono da colônia.

Muitos deles abandonaram a Metrópole e emigraram para o Brasil à procura dos grandes tesouros que poderiam ser descobertos. A verdade, nesse caso, saiu pelo avesso. No entanto, o ouro e a prata extraídos de Minas Gerais, em grande quantidade, a Corte Portuguesa reedificou Lisboa após o terremoto de 1755.


Em 15 de outubro de 1742, através de Carta Régia, atendendo solicitação do Padre José da Rocha, uma comissão de cinco Engenheiros de Minas é destinada ao Ceará, composta por João Oliveira e Estevam Gomes (portugueses), João Cristóvão (alemão) e os franceses Jean Pierre Fontainelles e seu filho JEAN FONTAINELLES. Conforme consta numa cópia da “Devassa” - documento arquivado na Biblioteca da Universidade do Vale do Acaraú-UVA.

Chegada ao Ceará e início dos trabalhos


A chegada dessa comissão no Ceará ocorreu em 9 de abril de 1743, numa 3ª feira, no Arraial de Ubajara (depois Jacaré), então distrito da Vila Viçosa, com a finalidade de explorar o potencial de prata e ouro daquela serrania.

A comissão iniciou a pesquisa e exploração sob o comando de Antonio Gonçalves de Araújo, que por carta régia de 11 de outubro de 1742, obteve permissão de receber da Europa cinco mestres e oficiais de fundição.

Os trabalhos prosseguiam normalmente, mas infelizmente, a inveja e a ambição de muitos impediram a boa marcha dos trabalhos, contando-se entre eles, o Ouvidor Manuel José de Farias que tudo fez para que os engenheiros negassem a existência de minérios, além de denúncias feitas ao Rei de Portugal sobre supostos atos de violência e arbitrariedade. Em 1758, uma Ordem Régia de 25 de setembro (2ª feira) determinou que se cessassem as explorações das minas do Acaraú e outras que houvesse na Capitania.

A comissão foi dissolvida, sem que nada de positivo tivesse sido encontrado. As amostras enviadas para análise em Lisboa, pelo Ouvidor Farias, foram examinadas pelo cientista Guilherme Dugood e consideradas “pedras comuns de enxofre e cobre”, sem viabilidade de exploração, devido ao alto custo do empreendimento e do baixo valor dos minerais.

Atribui-se às escavações levadas a efeito nessa exploração, o surgimento da famosa Gruta do Ubajara, ponto atual de atração turística do Ceará.

Gruta do Ubajara


Mapa do Estado do Ceará e, em vermelho, do Distrito de Viçosa do Ceará, Brasil


Jean fica em Viçosa


Com a dissolução da Comissão, seus componentes debandaram. Entretanto, JEAN FONTAINELLES resolveu ficar e preferiu fixar residência no Sítio Pitinga, Aldeia dos Jesuítas ou Aldeia da Ibiapaba, elevada a categoria de Vila Viçosa Real da América, em 07 de julho de 1759. Adquiriu várias partes de terra, principalmente no lugar “Careta”, cuja posse custou a elevada soma de quinze mil réis. Continuou, por conta própria, as suas pesquisas para descobrir minérios, desenvolveu a atividade de ourives e de criador de gado. Ali fez o Rebentão (olho d’água do Careta), em cujas adjacências descobriram pequenas jazidas sem maior importância.

Vista aérea do Careta com percurso da cidade até o sítio
Vista frontal do sítio Careta
Casa sede do sítio Careta - foto Alba Anúsia


Nascimento e formação de Jean


Não há informes sobre a data de nascimento de JEAN FONTAINELLES. Ele fez os seus estudos primários na terra natal (Melun, na França). Depois entrou na antiga Milícia como Soldado e, devido ao seu desempenho como militar, foi promovido a Tenente e em seguida a Capitão. Concluída essa etapa de vida, seguiu para Portugal, aonde veio a ingressar na Escola de Engenharia de Minas. Como Engenheiro de Minas, integrou a comitiva que veria ao Ceará para exploração de minérios.

Primeiro casamento


Em 7 de janeiro de 1754, em Sobral, na presença do Pe. Antonio Tomás Serra, JEAN FONTAINELLES contraiu seu primeiro matrimônio com Ana Correia da Luz, filha de André Álvares Pereira e Vicência Dias.

Desse casamento teve duas filhas:
01 - ÂNGELA MARIA FONTENELE que casou com Domingos João de Almeida Mascarenhas;
02 - VITÓRIA, falecida aos 2 anos de idade.


Segundo matrimônio


Em 1766, em Viçosa, JEAN FONTAINELLES contraiu seu segundo matrimônio com Umbelina Maria de Jesus, natural de Acaraú (Ceará), filha do português Manuel Gonçalves de Brito, natural da Ilha da Madeira, Bispado de Angra do Heroísmo, (Portugal) e de Rosa Maria de Jesus¹, natural de Santo Antonio de Jacobina (Bahia).

Moradores na Freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Viçosa (Ceará). O casal teve 10 filhos:

03 - FELIPE BENÍCIO FONTENELE nascido em 23/08/1767, casado com Teresa de Jesus do Espírito Santo; casado com Inocência de Sousa Castro; casado com Maria dos Anjos Portela;

04 - ROSA MARIA FONTENELE;

05 - GUILHERME JOSÉ FONTENELE ², casado com Ana Joaquina do Rosário;

06 - AGAPITA FONTENELE, casado com Manuel Simões Moreira Júnior;

07 - JACINTA MARIA FONTENELE;

08 - PAULO FONTENELE, casado com Rosa Maria do Espírito Santo;

09 - JOÃO DAMASCENO FONTENELE ³;

10 - PLÁCIDO BENÍCIO FONTENELE, casado com Maria Antonia dos Santos;

11 - LUDOVICA FONTENELE;

12 - AMARO JOSÉ FONTENELE.


Cargos exercidos por Jean

Em Viçosa, JEAN FONTAINELLES exerceu os cargos públicos de Juiz Ordinário, Presidente do Senado e da Câmara, Juiz de Órfãos, Juiz Almotacé, Procurador do Senado e da Câmara, Tesoureiro dos Cofres dos Órfãos e Vereador. JEAN faleceu às 7 horas da manhã de 8 de dezembro de 1809, numa sexta-feira. Umbelina faleceu onze anos depois, em 1820, às 9 horas da manhã, também no dia 8 de dezembro e numa sexta-feira. Ambos estão sepultados na nave central da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará.



Fotos antigas da Igreja Matriz


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção


Altar e teto antigos


Lápide de Jean e Umbelina, sepultados na Igreja Matriz




Carta de Dr. Cesar Fontenele, enviada ao Jornal O Povo, sobre a omissão de Jean Fontenele

  Fotos atuais de Viçosa do Ceará


Igreja da Matriz e casa paroquial


Igreja da Matriz e casa paroquial


Praça da Matriz


Praça da Matriz


Câmara Municipal


Igreja de São Francisco

Igreja do Céu


Vista da cidade


Observações

 ¹   Rosa Maria de Jesus (irmã mais nova e única de Florência, nascida em Goiana – PE, que se casou com Mateus José de Souza, também natural da Ilha da Madeira, como seu pai. Fixaram residência em Palma, Hoje Coreaú – CE, onde são patriarcas das famílias Belchior Fernandes e outras).

²   GUILHERME JOSÉ FONTENELE,  do qual descende, minha avó, Francisca Vasconcelos Magalhães (Dona Chiquinha) esposa de João Porphírio Magalhães.

³  JOÃO DAMASCENO FONTENELE, do qual descende, meu avô, João Porphírio Magalhães.


Fontes:
  • Fotos do Google Maps
  • pesquisa e anotações de Vandick Vasconcelos Magalhães (meu pai);
  • anotações de Mário Guimarães (primo);
  • Livro de Gilton Barreto "Viçosa do Ceará sob um olhar histórico". Expressão Gráfica e Editora, 2012, Fortaleza-CE;
  • www.geni.com/projects/imigrates (Immigrants to Brazil);
  • www.geneall.net.

COMENTÁRIOS



sábado, 28 de setembro de 2013

JORNAL ANTIGO - JORNAL DE VIÇOSA






JORNAL DE VIÇOSA

João Porphírio Magalhães foi fundador do Semanário, JORNAL DE VIÇOSA, que circulou ininterruptamente, por seis anos, de 28/07/1929 a 20/12/1934, graças a sua pertinácia e a colaboração dos filhos e de alguns diletos e cultos amigos. Impresso em prelo próprio, brotando de sua própria pena a maior parte do conteúdo, desde uma simples nota social ao editorial. Colaborou em muitas outras iniciativas e empreendimentos de vulto para o engrandecimento de Viçosa.

Semanário, com circulação aos domingos. Era um periódico noticioso e literário. Seus principais redatores foram Deocleciano Fontenele Pacheco, João Viana, João Porphírio Magalhães, Alerano de Barros, Justo de Pinho Pessoa, dentre outros.



Fachada do prédio do Jornal de Viçosa.  João Magalhães, de preto, seus filhos e amigo, de terno branco.



Vista da coleção dos jornais. Edição nº 56,  Domingo, 07.09.1930.


RECORTES DIVERSOS 



Homenagem ao grande jurista cearense Dr. Clóvis Beviláqua, nascido em Viçosa do Ceará, em 4 de outubro de 1859. 
Edição de 28.07.1930.



Filhos ilustres de Viçosa


Artigo sobre Economia e liberdade


Quinta apuração parcial do concurso de Miss Viçosa. 
Cyra Pinho liderava com 101 votos.



Sétima prévia das candidatas a miss Viçosa. 
Cyra Pinho continuava liderando com 267 votos.



Proclamação de Marianna Carvalho como Miss Viçosa.
Edição de 06.04.1930.



Homenagem à Miss Viçosa. Retreta e programação musical.



Nota pelo terceiro ano de morte do paraibano JOÃO PESSOA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE.



Notas de Fortaleza



Pena de morte aplicada ao assassino pelo atentado ao Presidente Roosevelt e pela morte do prefeito de Chicago.



Decretos do Prefeito, José Evangelista de Oliveira, relativo a posturas de edificações.



Edição do Segundo aniversário do Jornal, em 28.07.1931.



Terceiro aniversário do Jornal


Artigo de George Magalhães, gerente do Jornal, em comemoração aos três anos de edição.



Proibição de plantio de café em todo o território nacional



Artigo sobre economia versus liberdade




 Crime entre duas famílias, os Juritys contra os Macacheiras,
 em 06.10.1872,  em Tabatinga, Viçosa.



Costumes dos índios Tabajaras, editado 28.07.1930.




NOTAS MUNDANAS
























POESIAS












  

















 PUBLICIDADES DA ÉPOCA











































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FONTES E CONTRIBIÇÕES:
  • Coletânea das edições do Jornal de Viçosa pertencente a José Emygdio de Castro Filho, neto de João Magalhães.
  • Livro de Gilton Barreto, "Viçosa do Ceará sob um olhar histórico", editado em 2012.