sexta-feira, 25 de outubro de 2013

ORIGEM DOS FONTENELE

JEAN FONTENELE - IMIGRANTE FRANCÊS

O PATRIARCA DA FAMÍLIA FONTENELE - GENEALOGIA


Origem dos Fontenele

                    

FONTENELE, como é escrito na grafia mais moderna, constitui uma família única no Brasil, originada a partir de JEAN FONTAINELLES, filho de Jean Pierre Fontainelles e Suzanne Moullinier, naturais da cidade de Melun, na França.

Melun foi fundada por volta de 53 a.C. Foi destruída diversas vezes pelos normandos e tornou-se residência real dos primeiros reis Capetos. Carlos, o Mau, apoderou-se da cidade entre 1358-1359. Os ingleses entraram em 1415 e foram expulsos em 1430. Em 1450, Henrique IV salvou a cidade das mãos dos seguidores da Liga.

Atualmente, Melun faz parte da região metropolitana de Paris, chamada de Île de France, e sua localização está a uma distância de 50 quilômetros ao sul de Paris, perto de Fontainebleau. Situa-se às margens do Sena, na região de Bric. Hoje é um centro industrial importante e terra do poeta J. Amiot.

Conforme se vê no mapa da França e suas regiões metropolitanas, e foto da região metropolitana de Île de France.


Rue Carnot/Rue Paul Doumer, Melun, Île-de-France, França

Mapa de Paris com trajeto até Melun (linha azul)
  

Notícias de jazidas de prata na Ibiapaba, Ceará


No início do século XVIII, divulgaram em Portugal fantásticas notícias de que nos contrafortes das Serras da Ibiapaba e dos Cocos, no Ceará, continham fabulosas jazidas de minérios, prata e ouro, brotando à flor da terra. O local desses minérios seria precisamente o Araticum, atualmente distrito da cidade de Ubajara. Logo despertou no meio daquela Corte a maior cobiça e ambição para a exploração e remessa de riqueza para os donos do reino, patrono da colônia.

Muitos deles abandonaram a Metrópole e emigraram para o Brasil à procura dos grandes tesouros que poderiam ser descobertos. A verdade, nesse caso, saiu pelo avesso. No entanto, o ouro e a prata extraídos de Minas Gerais, em grande quantidade, a Corte Portuguesa reedificou Lisboa após o terremoto de 1755.


Em 15 de outubro de 1742, através de Carta Régia, atendendo solicitação do Padre José da Rocha, uma comissão de cinco Engenheiros de Minas é destinada ao Ceará, composta por João Oliveira e Estevam Gomes (portugueses), João Cristóvão (alemão) e os franceses Jean Pierre Fontainelles e seu filho JEAN FONTAINELLES. Conforme consta numa cópia da “Devassa” - documento arquivado na Biblioteca da Universidade do Vale do Acaraú-UVA.

Chegada ao Ceará e início dos trabalhos


A chegada dessa comissão no Ceará ocorreu em 9 de abril de 1743, numa 3ª feira, no Arraial de Ubajara (depois Jacaré), então distrito da Vila Viçosa, com a finalidade de explorar o potencial de prata e ouro daquela serrania.

A comissão iniciou a pesquisa e exploração sob o comando de Antonio Gonçalves de Araújo, que por carta régia de 11 de outubro de 1742, obteve permissão de receber da Europa cinco mestres e oficiais de fundição.

Os trabalhos prosseguiam normalmente, mas infelizmente, a inveja e a ambição de muitos impediram a boa marcha dos trabalhos, contando-se entre eles, o Ouvidor Manuel José de Farias que tudo fez para que os engenheiros negassem a existência de minérios, além de denúncias feitas ao Rei de Portugal sobre supostos atos de violência e arbitrariedade. Em 1758, uma Ordem Régia de 25 de setembro (2ª feira) determinou que se cessassem as explorações das minas do Acaraú e outras que houvesse na Capitania.

A comissão foi dissolvida, sem que nada de positivo tivesse sido encontrado. As amostras enviadas para análise em Lisboa, pelo Ouvidor Farias, foram examinadas pelo cientista Guilherme Dugood e consideradas “pedras comuns de enxofre e cobre”, sem viabilidade de exploração, devido ao alto custo do empreendimento e do baixo valor dos minerais.

Atribui-se às escavações levadas a efeito nessa exploração, o surgimento da famosa Gruta do Ubajara, ponto atual de atração turística do Ceará.

Gruta do Ubajara


Mapa do Estado do Ceará e, em vermelho, do Distrito de Viçosa do Ceará, Brasil


Jean fica em Viçosa


Com a dissolução da Comissão, seus componentes debandaram. Entretanto, JEAN FONTAINELLES resolveu ficar e preferiu fixar residência no Sítio Pitinga, Aldeia dos Jesuítas ou Aldeia da Ibiapaba, elevada a categoria de Vila Viçosa Real da América, em 07 de julho de 1759. Adquiriu várias partes de terra, principalmente no lugar “Careta”, cuja posse custou a elevada soma de quinze mil réis. Continuou, por conta própria, as suas pesquisas para descobrir minérios, desenvolveu a atividade de ourives e de criador de gado. Ali fez o Rebentão (olho d’água do Careta), em cujas adjacências descobriram pequenas jazidas sem maior importância.

Vista aérea do Careta com percurso da cidade até o sítio
Vista frontal do sítio Careta
Casa sede do sítio Careta


Nascimento e formação de Jean


Não há informes sobre a data de nascimento de JEAN FONTAINELLES. Ele fez os seus estudos primários na terra natal (Melun, na França). Depois entrou na antiga Milícia como Soldado e, devido ao seu desempenho como militar, foi promovido a Tenente e em seguida a Capitão. Concluída essa etapa de vida, seguiu para Portugal, aonde veio a ingressar na Escola de Engenharia de Minas. Como Engenheiro de Minas, integrou a comitiva que veria ao Ceará para exploração de minérios.

Primeiro casamento


Em 7 de janeiro de 1754, em Sobral, na presença do Pe. Antonio Tomás Serra, JEAN FONTAINELLES contraiu seu primeiro matrimônio com Ana Correia da Luz, filha de André Álvares Pereira e Vicência Dias.

Desse casamento teve duas filhas:
01 - ÂNGELA MARIA FONTENELE que casou com Domingos João de Almeida Mascarenhas;
02 - VITÓRIA, falecida aos 2 anos de idade.


Segundo matrimônio


Em 1766, em Viçosa, JEAN FONTAINELLES contraiu seu segundo matrimônio com Umbelina Maria de Jesus, natural de Acaraú (Ceará), filha do português Manuel Gonçalves de Brito, natural da Ilha da Madeira, Bispado de Angra do Heroísmo, (Portugal) e de Rosa Maria de Jesus¹, natural de Santo Antonio de Jacobina (Bahia).

Moradores na Freguesia de Nossa Senhora da Assunção de Viçosa (Ceará). O casal teve 10 filhos:

03 - FELIPE BENÍCIO FONTENELE nascido em 23/08/1767, casado com Teresa de Jesus do Espírito Santo; casado com Inocência de Sousa Castro; casado com Maria dos Anjos Portela;

04 - ROSA MARIA FONTENELE;

05 - GUILHERME JOSÉ FONTENELE ², casado com Ana Joaquina do Rosário;

06 - AGAPITA FONTENELE, casado com Manuel Simões Moreira Júnior;

07 - JACINTA MARIA FONTENELE;

08 - PAULO FONTENELE, casado com Rosa Maria do Espírito Santo;

09 - JOÃO DAMASCENO FONTENELE ³;

10 - PLÁCIDO BENÍCIO FONTENELE, casado com Maria Antonia dos Santos;

11 - LUDOVICA FONTENELE;

12 - AMARO JOSÉ FONTENELE.


Cargos exercidos por Jean

Em Viçosa, JEAN FONTAINELLES exerceu os cargos públicos de Juiz Ordinário, Presidente do Senado e da Câmara, Juiz de Órfãos, Juiz Almotacé, Procurador do Senado e da Câmara, Tesoureiro dos Cofres dos Órfãos e Vereador. JEAN faleceu às 7 horas da manhã de 8 de dezembro de 1809, numa sexta-feira. Umbelina faleceu onze anos depois, em 1820, às 9 horas da manhã, também no dia 8 de dezembro e numa sexta-feira. Ambos estão sepultados na nave central da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção, em Viçosa do Ceará.



Fotos antigas da Igreja Matriz


Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção


Altar e teto antigos


Lápide de Jean e Umbelina, sepultados na Igreja Matriz




Carta de Dr. Cesar Fontenele, enviada ao Jornal O Povo, sobre a omissão de Jean Fontenele

  Fotos atuais de Viçosa do Ceará


Igreja da Matriz e casa paroquial


Igreja da Matriz e casa paroquial


Praça da Matriz


Praça da Matriz


Câmara Municipal


Igreja de São Francisco

Igreja do Céu


Vista da cidade


Observações

 ¹   Rosa Maria de Jesus (irmã mais nova e única de Florência, nascida em Goiana – PE, que se casou com Mateus José de Souza, também natural da Ilha da Madeira, como seu pai. Fixaram residência em Palma, Hoje Coreaú – CE, onde são patriarcas das famílias Belchior Fernandes e outras).

²   GUILHERME JOSÉ FONTENELE,  do qual descende, minha avó, Francisca Vasconcelos Magalhães (Dona Chiquinha) esposa de João Porphírio Magalhães.

³  JOÃO DAMASCENO FONTENELE, do qual descende, meu avô, João Porphírio Magalhães.


Fontes:
  • Fotos do Google Maps
  • pesquisa e anotações de Vandick Vasconcelos Magalhães (meu pai);
  • anotações de Mário Guimarães (primo);
  • Livro de Gilton Barreto "Viçosa do Ceará sob um olhar histórico". Expressão Gráfica e Editora, 2012, Fortaleza-CE;
  • www.geni.com/projects/imigrates (Immigrants to Brazil);
  • www.geneall.net.

COMENTÁRIOS



domingo, 13 de outubro de 2013

CEILÂNDIA - CIDADE SATÉLITE DE BRASÍLIA




Ceilândia - Apresentação


Ceilândia nasceu de uma grande vontade política do Governo do Distrito Federal da época, Hélio Prates da Silveira, de uma liderança forte, Otomar Lopes Cardoso, Secretário de Serviços Sociais, de técnicos e auxiliares envolvidos com a causa e, principalmente, dos beneficiários que acreditaram na proposta que renovava a esperança de um futuro melhor, onde poderiam ter o que mais almejavam que era a propriedade de um chão. Um lote legal com toda infra-estrutura básica necessária para morarem temporariamente e, posteriormente, construírem a sua habitação definitiva com esforço próprio, sob orientação e ajuda do Governo.

Os técnicos estavam todos envolvidos, com entusiasmo e amor pela missão, focados na causa por acreditarem que, além de cumprirem suas obrigações de trabalho, estavam sendo os grandes benfeitores na promoção do desenvolvimento social daquelas famílias, que viviam em condições subumanas e sem perspectiva de alcançar um novo patamar sócio-econômico em curto prazo.

O engajamento de todo o governo, da sociedade e dos empresários de Brasília e, principalmente, dos moradores das favelas que acreditaram e se integraram ao movimento. Viram surgir um novo horizonte de perspectivas do qual eles não eram simples espectadores e beneficiários, mas eram participantes da construção de um sonho acalentado pela esperança de uma vida melhor e um futuro promissor para seus filhos.

Com isso, o projeto foi um sucesso extraordinário por adotar uma solução construída com os próprios interessados. A ação integrada do Governo e o trabalho inspirador ganhou o envolvimento apaixonado de todos os que trabalharam no projeto. Não só por estar construindo uma cidade, mas conduzindo aquelas pessoas para uma vida melhor. O exemplo de solução atraiu o interesse do BNH, do Banco Mundial e de outros órgãos internacionais envolvidos nas soluções de habitação popular. Pois era uma solução simples, barata e com prazo de execução relativamente curto, ou seja, cerca de um ano.

A cidade se desenvolveu, como previsto, e hoje é uma grande cidade com cerca de 400 mil habitantes, com vida própria e estruturada com todos os serviços públicos, inclusive metrô. Seus moradores, comerciantes e nós que participamos de sua construção nos sentimos compensados e orgulhosos pela sua pujança e pelo que Ceilândia representa para o Distrito Federal.



Origem

Juscelino Kubitschek, aceitando um desafio de campanha, decidiu transferir a Capital do Brasil do Rio de janeiro para o planalto central, que se chamaria Brasília. Foi uma decisão ousada e um grande desafio. 

Em 1956, com o inicio dos trabalhos, abria-se uma nova fronteira de oportunidades de trabalho, com a conseqüente mudança dos fluxos migratórios do Brasil, que passaram a tomar a direção do Distrito Federal. Com isso, os profissionais ligados a construção civil foram o maior contingente a se estabelecer em Brasília.

Brasília ia sendo construída em ritmo acelerado, gerando necessidades sociais e urbanas. Os problemas iam surgindo e se acumulando, como a falta de moradia, deficiência nas estruturas provisórias, de saúde, educação, transporte, segurança, água, energia, entre outros.  

A necessidade de moradia gerou o aparecimento de núcleos urbanos provisórios ou invasões transformando num grande problema a ser resolvido. Alguns foram urbanizados, outros foram removidos para locais planejados para receber o contingente de moradores de diversas favelas localizadas na vizinhança do Plano Piloto, o núcleo urbano planejado de Brasília, Distrito Federal.

As invasões de Brasília

A maior invasão era a Vila do IAPI, que somada as outras invasões, conhecidas como, Morro do Urubu, Vila Tenório, Morro do Querosene, Vila do IAPTEC, Vila do IAPC, Vila Esperança e outras, perfaziam um total aproximado de 80.000 habitantes, vivendo em 15 mil barracos em condições precárias.



Migrantes chegando ao Núcleo Bandeirante (antiga Cidade Livre)  para trabalhar em Brasília 


Aspecto de uma invasão ou favela











Transporte de operários (candangos), tomando o café da manhã e Terraplanagem da esplanada dos ministérios



Construção do Congresso Nacional

Erradicação

Hélio Prates da Silveira, quando assumiu o Governo do Distrito Federal – GDF,(de 04/11/1969 a 02/04/1974), uma das suas prioridades era a erradicação das invasões de Brasília para outro local mais adequado que possibilitasse condições mais digna de vida, com acesso aos serviços comunitários básicos, com infra-estrutura urbana, equipamentos urbanos e serviços sociais e comunitários necessários.

No dia 30 de janeiro de 1970, o Secretário de Serviços Sociais do Distrito Federal, Otomar Lopes Cardoso, anunciava a decisão do Governo em erradicar as invasões de Brasília. Foi criada a Comissão de Erradicação de Invasões - CEI, para mobilização e envolvimento da sociedade na solução dos problemas de habitação.

“CEI” - Campanha de Erradicação de Invasões foi um movimento não institucionalizado, liderado pela primeira dama, Vera Prates da Silveira, no qual se engajaram um grupo de 100 senhoras, com objetivo de mobilizar a opinião pública, bem como, arrecadar fundos e donativos para ajudar as famílias a se estabelecerem na Ceilândia. Dessa sigla surgiu o nome da Ceilândia. A CEI era constituída por representantes das Secretarias, de Serviços Sociais, de Viação e Obras, da Agricultura, da Educação e Cultura e ainda da Companhia de Planejamento do Distrito Federal - CODEPLAN e da Sociedade de Habitação de Interesse Social - SHIS. 

Foi elaborado um plano de ação social que foi coordenado pela assistente social Julimar da Matta Machado que abrangia o levantamento da situação sócio-econômica e o grau de instrução da população. Reuniões com a população para conscientização, mobilização para transferência e o planejamento da operação de erradicação e de reinstalação no novo núcleo habitacional.

Também, foi criado o Grupo Executivo de Remoção - GER, vinculado a Fundação do Serviço Social, sob a supervisão direta da Secretaria de Serviços Sociais. Inicialmente o GER foi coordenado pelo engenheiro Carlos Versiane e posteriormente pelo engenheiro Vanine Magalhães. O objetivo principal do GER era a supervisão da execução da infra-estrutura urbana e de dar suporte a execução dos trabalhos em geral.

Concluída a transferência das famílias, o GER foi transformado em GECC – Grupo Executivo de Consolidação da Ceilândia, liderado por Vanine e posteriormente coordenado pelo engenheiro João Pereira Vale Filho, cujo objetivo era dar prosseguimento aos programas sociais de construção da casa definitiva e articular com outros órgãos do governo para garantir a continuidade dos trabalhos de implantação da infra-estrutura necessária para consolidação da Ceilândia.

Preparação da comunidade

Antes de iniciar processo de remoção das famílias para a nova área foi realizado um trabalho árduo, na Vila do IAPI, de pesquisa, cadastramento e preparação, tais como, levantamento do número, características e dimensões dos barracos; das famílias e suas condições sócio-econômicas; dos estabelecimentos comerciais; das instituições sociais, educacionais e religiosas.

O trabalho foi liderado pela Julimar e desenvolvido durante todo o ano de 1970. O trabalho consistia em esclarecer e sensibilizar a população para conquistar a sua aceitação e colaboração para o processo de transferência.  Foi disponibilizado ônibus para visitas regulares a nova área, para possibilitar, àqueles mais céticos, conferir pessoalmente a implantação da infra-estrutura, que estava sendo construída, abertura de ruas, demarcação dos lotes, instalação de rede de água, iluminação pública, pavimentação dos eixos principais, construção de seis escolas, instalação de posto de saúde e demais serviços básicos.

Dados e perfil da população

A pesquisa apresentou o seguinte resultado:

  • 32% da população éramos constituídas de crianças com até 7 anos.
  •  De um total de 14.607 famílias, a renda bruta familiar apresentou o seguinte perfil: 404 famílias sem renda ou desempregada; 3.740 com renda até 178 cruzeiros; 6.705 com renda variando entre 179 e 356 cruzeiros; 2.184 com renda variando entre 357 e 534 cruzeiros e 1.574 com renda acima de 535 cruzeiros.
  •  Escolaridade da população: De um total de 15.739 estudantes, 66% ou 10.421 estudantes tinham o curso primário e 34% ou 5.318, o curso secundário. A população analfabeta ou semi-alfabetizada era de 11.677 pessoas.
 Para toda a operação de planejamento e execução foi mobilizado um contingente de 269 profissionais.

Projeto urbanístico

Com essas informações foi elaborado o projeto urbanístico da futura cidade, de autoria do arquiteto Ney Gabriel de Souza do GDF.

A área escolhida situa-se a noroeste de Taguatinga, setores “M” e “N” (QNM e QNN), inicialmente, expansão da cidade satélite de Taguatinga. Era uma área ocupada pelos setores de comunicações do governo federal. Ali estavam instaladas as antenas de radiocomunicação da Aeronáutica, Exército, Ministério das Comunicações, Correios, em sua maior parte.

O modelo adotado foi oferecer lotes com urbanização básica necessária. A ocupação do lote, com a instalação da casa provisória no fundo do lote, permitia a construção definitiva na parte frontal do terreno. 

O projeto urbanístico da Ceilândia continha mais de 17.000 lotes residenciais, com 10 metros de frente por 25 metros de fundo, além de outros terrenos destinados a comércios e instituições diversas. Os terrenos seriam inicialmente concedidos mediante uma taxa de ocupação, mas por uma resolução do Conselho Deliberativo da Novacap, os lotes foram vendidos em condições especiais.

A demarcação dos lotes, o sistema viário e de águas pluviais foram realizados pela NOVACAP. O sistema de abastecimento de água e de energia elétrica foram realizados pela CAESB e CEB respectivamente.

Projeto de Remoção

Projeto elaborado por uma equipe de técnicos com formação diversificada, o projeto de remoção das favelas do IAPI e adjacências definiu os critérios para locação das famílias na nova área, abrangendo o treinamento do pessoal para a ação, definição da estrutura de trabalho, o quadro de pessoal, custos e origem dos recursos financeiros e materiais necessários.

O projeto específico de ação comunitária foi também elaborado com o objetivo de levar os técnicos, os líderes comunitários e a população em geral a se integrar na política de ação do governo, no que concerne à melhoria de condições habitacionais e sociais das populações envolvidas. 

Processo de remoção e instalação no novo núcleo


Lançamento da pedra fundamental de Ceilândia pelo Governador Hélio Prates e Eduardo Mundim Pena, Administrador de Taguatinga (falando com o Governador)

No dia 27 de março de 1971 teve início a remoção e a conseqüente ocupação em lotes urbanizados, começando-se pela QNM 23 da Ceilândia. Todo o trabalho de instalação das famílias, dos comerciantes e das instituições em geral, nos respectivos terrenos, foi concluído no dia 09 de março de 1972, dentro do prazo estabelecido, portanto em menos de um ano.




















Os barracos foram remontados, nos lotes indicados, com o apoio do Grupo Executivo de Remoção que disponibilizava ajuda de carpinteiros para aqueles mais necessitados ou impossibilitados de remontarem, como mulheres sozinhas e idosas.
Também, por vários motivos, tais como agressões e traição, por parte do companheiro, o lote era colocado no nome da mulher para proteger a família.
A casa definitiva seria um segundo passo a ser dado pela família, na medida de sua possibilidade financeira.

Controle de chegada e remontagem

Todo o trabalho teve o apoio integral da estrutura do Governo do Distrito Federal e a dedicação dos técnicos, principalmente dos assistentes sociais, que acompanhavam e orientavam cada família em suas necessidades e dificuldades.

Todas as providências para solução dos problemas eram tomadas de imediato junto aos demais órgãos do Governo, que apoiaram integramente. O lema divulgado na época, “A CIDADE É UMA SÓ”, demonstrava o espírito e o engajamento do Governo.

As providências de transferência escolar dos estudantes, para as novas escolas, eram feitas antecipadamente. As pessoas foram submetidas aos procedimentos preventivos de saúde, como vacinação. Também era providenciado a regularização da documentação pessoal.



                                 




O GER – Grupo Executivo de Remoção disponibilizou mão de obra para ajudar na remontagem da habitação provisória, inclusive vendendo, a preço simbólico, material de construção necessário a complementação da remontagem do barraco.

Consolidação da Ceilândia

Com a conclusão da instalação das famílias em seus lotes definitivos, iniciava-se a fase de consolidação do novo núcleo urbano. A cidade precisava se desenvolver num ritmo acelerado para atender a população em suas demandas de adequação a nova moradia e ao novo núcleo urbano.

Em abril de 1972, o Grupo Executivo de Remoção - GER foi transformado em Grupo Executivo de Consolidação da Ceilândia para promover e dar continuidade às instalações de serviços públicos e as demais necessidades urbanas da comunidade. 


Nesta fase, o Grupo Executivo de Consolidação da Ceilândia criou uma unidade de apoio à construção, denominado Escritório da Casa Própria – ECAP, instalado em dezembro de 1971, com o objetivo de incentivar e facilitar o processo de construção da casa definitiva, em alvenaria, no espaço frontal do lote deixado para essa finalidade.
Construção do alicerce da casa defitiva
Casa definitiva sendo construída na frente da habitação provisória


O ECAP disponibilizava vários tipos de projetos residenciais, padronizados e econômicos, além prestar assessoria de engenharia na construção. Dispunha de um sistema de credito social rotativo, até dois mil cruzeiros, para compra de material de construção.  Uma unidade industrial foi instalada para fabricação de blocos de concretos para venda, a preço de custo, aos que aderissem ao programa de construção com recursos próprios.

Outros programas de habitação foram disponibilizados, com financiamento do sistema nacional de habitação, pela Sociedade de Habitação de Interesse Social – SHIS para construção de conjuntos habitacionais.

O serviço social, que desde a preparação e mobilização da comunidade para transferência, acompanhou e orientou a população. A política de ação da Fundação do Serviço Social promovia a integração social e o desenvolvimento urbano e comunitário, onde a população também participaria como agente beneficiário. Os principais programas desenvolvidos foram os de promoção familiar, de desenvolvimento do menor, do bem estar social e do desenvolvimento comunitário e urbano. Nessa ocasião foram criados o CDS – Centro de Desenvolvimento Social e o Centro Integrado de Atenção ao Menor - CIAM , ambos coordenados pela Fundação do Serviço Social.


Em 27/06/1975, o Dec. 2.842, definia a área dos setores M e N de Taguatinga, e, em seguida, pelo Dec. 2.943, foi criada a Administração de Ceilândia, vinculada a Administração Regional de Taguatinga.
Em 25/10/1989, a Lei 11.921 criou a Região Administrativa de Ceilândia.

***


DEPOIMENTO


Terezinha Mazzarelo e colegas


Por Terezinha Mazzarelo, assistente social que participou desde o início dos trabalhos compondo a equipe de serviço social coordenada pela Julimar.

"Contextualização da situação habitacional
No final do ano de 1970, o então Governador do Distrito Federal, Hélio Prates, recém nomeado pelo Presidente da República, e o Secretário de Serviços Sociais, Otomar Lopes Cardoso, com a colaboração de outras secretarias de estado, decidiram formar uma equipe técnica para planejarem o processo de erradicação das invasões existentes nas proximidades da cidade satélite do Núcleo Bandeirante.

Essas invasões denominadas: Vila do IAPI (a maior), Morro do Urubu, Vila Tenório, Morro do Querosene, Vila do IAPTEC, Vila do IAPC e outras perfaziam um total de 80.000 habitantes aproximadamente.

Levantamento dos moradores
Inicialmente os moradores eram cadastrados por uma equipe formada pela secretaria de Viação e Obras, Novacap, Secretaria de Serviços Sociais e outros órgãos. A equipe se instalou num barracão cedido pela LBA para realização de reuniões com os moradores e seus familiares, permanecendo nesse local por mais de cinco meses.

As reuniões eram basicamente para conhecimento das dificuldades das famílias, encaminhamentos das providências necessárias, como também, para esclarecimento sobre o plano de erradicação, transporte e ocupação dos lotes que seriam destinados a cada família.

Eram oferecidas as condições necessárias para uma vida mais digna, tais como, esclarecimento das condições da documentação de propriedade do lote, transferência escolar para novas escolas, próxima à futura residência, apoio social para reinstalação da família, situação de infra-estrutura básica de água, energia, vias e arruamentos, iluminação pública, bem como, outros equipamentos comunitários de segurança, saúde, comercio, entre outros.

Além do cadastro que todos preenchiam, a família tinha que levar o comprovante de escolaridade dos filhos, cartão de vacina e boletins com as notas escolares. Isto porque, com a notícia de novas mudanças para um local melhor surgiram pessoas de outras cidades querendo também se inscrever.

Para realizar este trabalho a equipe técnica contou também com a participação da NOVACAP para visitas ao local da residência sob a coordenação do Sr. Fernando Torres, Sr. Mauro e sua equipe profissional como: fiscais, topógrafos e outros profissionais para medir o tamanho de cada barraco para assim determinar qual seria o lote mais adequado e a necessidade de apoio (material e mão de obra) na remontagem do mesmo na futura cidade. Contou também com a equipe da Secretaria de Viação e Obras na coordenação do Sr. Cavalcante, Diretor do DI, Departamento Imobiliário de Taguatinga e sua equipe de campo para a entrega da documentação definitiva do lote ao proprietário com a preferência em nome da mulher, caso não fossem casados, no ato da chegada em Ceilândia com a mudança já no caminhão para ser encaminhado ao lote definitivo.

Na coordenação dos trabalhos sociais assumiu a assistente social Julimar da Mata Machado e no local da invasão a coordenação ficou com a assistente social Maria Irineide e sua equipe de assistentes social, auxiliares sociais e administrativos, Onorina, Marli Guedes, Esli, Ana Maria, Maidy, Lourival, Paulo, Wilton, Carlos e outros.

Transferência para Ceilândia
Os moradores e seus familiares seriam transferidos para a nova cidade, Ceilândia, que inicialmente eram os setores QNM e QNN de Taguatinga.

Em 27 de março de 1971 foram iniciados os trabalhos de remoção para Ceilândia com uma equipe pequena para receber os primeiros 50 moradores por dia conforme calendário de mudança diária.

Na coordenação técnica em campo, em Ceilândia permaneceu Julimar e nos trabalhos técnicos apenas duas assistentes sociais, Célia Zanqueta e Terezinha Mazzarelo, quatro auxiliares sociais, Terezinha Silva, Arilda, Valéria e Maria Deuza e um auxiliar de enfermagem, Escalia que atendia as emergências no local.

Na equipe de campo para acompanhamento e fiscalização dos barracos ficou sob a responsabilidade dos fiscais Zuza, Lourival, Ilton, Carlos Henrique, Sinval e Porto, que também levantavam as necessidades de material para a reconstrução dos barracos.

Todo trabalho era supervisionado pelo próprio Secretário de Serviços Sociais, Otomar Lopes Cardoso, juntamente com Julimar pelo menos três vezes por semana para avaliação dos trabalhos e necessidades complementares. Após três meses de trabalho intenso com cinqüenta remoções diárias foi decidido crescer esse número para oitenta mudanças para ajustar o cronograma inicialmente previsto. Com isso foi necessário aumentar a equipe de trabalho com mais duas assistentes sociais, Silvia Brasil e Ana Maria Cavalcante e dois engenheiros Vanine e João Vale.

Havia um atendimento às famílias recém chegadas com distribuição de sopa que foi organizada pela assistente social Déa, esposa de Otomar.

Era feito um levantamento da situação sócio-econômica com o fim de orientação e ajuda para sanar as dificuldades do momento. Orientação e educação sanitária e a possibilidade de construção da casa definitiva.

Dependo da situação era providenciado apoio com água, em caminhão pipa, remédios e materiais de construção para complementar na remontagem da residência provisória e, dependendo do caso, suporte de mão de obra para ajudar na edificação de madeira.

O barraco era remontado no fundo do lote para possibilitar a futura edificação da casa definitiva em alvenaria, com mais conforto o que garantiria um patrimônio que se valorizaria com o tempo.

Escritório da Casa Própria - ECAP
Foi criado um escritório para facilitar o processo de construção definitiva. Eram fornecidas cinco opções de planta de casas econômicas. Os interessados contavam com a assessoria de engenheiros e assistentes sociais para ajudar na escolha e tirar todas as dúvidas quanto aos requisitos legais e de construção. Para cada opção de planta, acompanhava um orçamento com os materiais necessários e o conseqüente custo da construção. Todo o trabalho de preparação dos documentos era providenciado pela ECAP, sob a coordenação dos engenheiros Vanine e João Vale e da assistente social Silvia Brasil.

Assim que terminou a remoção em março de 1972, alguns moradores já estavam providenciando a construção de sua casa.

Foi realizado, com a participação de moradores, um projeto de disponibilização de máquinas de costura, mediante crédito social,  para atender as famílias mais carentes com costureiras em potencial. As máquinas foram adquiridas por meio de donativos recebidos pela CEI – Campanha de Erradicação de Invasões e os recursos do fundo social era revertido em crédito rotativo. Assim o serviço social estaria promovendo uma maior integração entre as famílias e o serviço social, além de possibilitar a melhoria da condição econômica das famílias contempladas.

Paralelamente, estaria desenvolvendo o senso de responsabilidade nas famílias na solução dos seus problemas. Assim, como outros objetivos do programa de desenvolvimento social, tais como: levar a família a valorizar a contribuição que recebe e incentivar o cooperativismo; mobilizar a família para a realização e aspirações locais; despertar potencialidades de cada um em benefício de si e da família, entre outros.

Para estas propostas deveriam ser atendidas as seguintes condições:
  • Família com rendimento até meio salário mínimo
  • Será pago em prestações de acordo com a condição de cada uma.
  • A taxa será revertida em compra de mais máquinas, ou seja, um fundo rotativo.
  • O trabalho seria avaliado após cada fase através de um questionário respondido pela própria família.

Este trabalho iniciou com muito sucesso, mas infelizmente as mudanças de interesses políticos fizeram que este projeto não fosse adiante.

Com a necessidade de expansão de mais lotes, foram criadas as quadras QNN, QNO e QNP. Com a ampliação das atividades foi criado o Grupo de Consolidação da Ceilândia - GEC em substituição ao Grupo Executivo de Remoção – GER, criado para a coordenação geral do processo de remoção e reinstalação das famílias.

Em 1974, quando terminou o mandato do Governador Hélio Prates da Silveira, foi nomeado para o governo Elmo Serejo. A partir daí foi criado uma nova região administrativa, desmembrada de Taguatinga, ratificando o nome de Ceilândia e nomeando para o cargo de administrador, Maria de Lourdes Abadia, que já atuava na chefia do Centro de Desenvolvimento Social da Ceilândia-CDS, desde sua criação, meados de 1972, possibilitando assim, a continuidade aos trabalhos de desenvolvimento social dentro das diretrizes e rotinas estabelecidas pela Fundação do Serviço Social."

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CEILÂNDIA APÓS 40 ANOS  (cerca de 400.000 habitantes)

Caixa d´água - foto Sandrogianelli




Casa do Cantador - foto skyscrapercity.com
Vista da linha de Metro - foto skyscrapercity.com
Vista da cidade - foto wikimapia.org



foto -meutransporte.blogspot
Estação Central - foto skyscrapercity.com


foto - mapa-metro.com



CONFRATERNIZAÇÃO

Após 40 anos, os profissionais que estiveram à frente do trabalho de remoção das invasões e transferência para Ceilândia (1970 a 1972), se encontraram para um almoço de confraternização. Daí surgiu a idéia de se elaborar um trabalho histórico para registrar as etapas de preparação remoção e instalação das famílias na Ceilândia.


Ana Bittar, Silvia Magalhães, Ilton Mendes, Sebastião, Terezinha Mazzarelo, Vanine Magalhães, Lorival (cabeça) Arilda Helena, Julimar Camargo, Célia Zanqueta, Maria Irineide


Fontes:
- Documento "CEILÂNDIA", editado, em maio de 1973, pelo Departamento de Habitação Social da Secretaria de Serviços Sociais do GDF.
- Publicações imprensa local.
- fotos antigas, autores não identificados
- anotações e memória dos profissionais que trabalharam no projeto
Colaboração de Julimar Camargo (antes Julimar da Matta Machado), Célia Zanqueta, Terezinha Mazzarelo, entre outros.



sábado, 28 de setembro de 2013

JORNAL ANTIGO - JORNAL DE VIÇOSA






JORNAL DE VIÇOSA

João Porphírio Magalhães foi fundador do Semanário, JORNAL DE VIÇOSA, que circulou ininterruptamente, por seis anos, de 28/07/1929 a 20/12/1934, graças a sua pertinácia e a colaboração dos filhos e de alguns diletos e cultos amigos. Impresso em prelo próprio, brotando de sua própria pena a maior parte do conteúdo, desde uma simples nota social ao editorial. Colaborou em muitas outras iniciativas e empreendimentos de vulto para o engrandecimento de Viçosa.

Semanário, com circulação aos domingos. Era um periódico noticioso e literário. Seus principais redatores foram Deocleciano Fontenele Pacheco, João Viana, João Porphírio Magalhães, Alerano de Barros, Justo de Pinho Pessoa, dentre outros.



Fachada do prédio do Jornal de Viçosa.  João Magalhães, de preto, seus filhos e amigo, de terno branco.



Vista da coleção dos jornais. Edição nº 56,  Domingo, 07.09.1930.


RECORTES DIVERSOS 



Homenagem ao grande jurista cearense Dr. Clóvis Beviláqua, nascido em Viçosa do Ceará, em 4 de outubro de 1859. 
Edição de 28.07.1930.



Filhos ilustres de Viçosa


Artigo sobre Economia e liberdade


Quinta apuração parcial do concurso de Miss Viçosa. 
Cyra Pinho liderava com 101 votos.



Sétima prévia das candidatas a miss Viçosa. 
Cyra Pinho continuava liderando com 267 votos.



Proclamação de Marianna Carvalho como Miss Viçosa.
Edição de 06.04.1930.



Homenagem à Miss Viçosa. Retreta e programação musical.



Nota pelo terceiro ano de morte do paraibano JOÃO PESSOA CAVALCANTI DE ALBUQUERQUE.



Notas de Fortaleza



Pena de morte aplicada ao assassino pelo atentado ao Presidente Roosevelt e pela morte do prefeito de Chicago.



Decretos do Prefeito, José Evangelista de Oliveira, relativo a posturas de edificações.



Edição do Segundo aniversário do Jornal, em 28.07.1931.



Terceiro aniversário do Jornal


Artigo de George Magalhães, gerente do Jornal, em comemoração aos três anos de edição.



Proibição de plantio de café em todo o território nacional



Artigo sobre economia versus liberdade




 Crime entre duas famílias, os Juritys contra os Macacheiras,
 em 06.10.1872,  em Tabatinga, Viçosa.



Costumes dos índios Tabajaras, editado 28.07.1930.




NOTAS MUNDANAS
























POESIAS












  

















 PUBLICIDADES DA ÉPOCA











































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FONTES E CONTRIBIÇÕES:
  • Coletânea das edições do Jornal de Viçosa pertencente a José Emygdio de Castro Filho, neto de João Magalhães.
  • Livro de Gilton Barreto, "Viçosa do Ceará sob um olhar histórico", editado em 2012.